PIRANHAS: Vazões reduzidas – UHE Xingó reduzem distribuição de água

Com a grande redução das reduções da UHE Xingó nos primeiros dias de 2021, a situação da invasão de algas verdes e vegetação exótica aquática (as elodeas) veio à superfície, demonstrando que o problema não foi resolvido com os incrementos de vazão dos últimos meses.

Não poderia ser diferente e, há anos a Canoa de Tolda tem apontado e comprovado o gravíssimo problema da invasão acelerada e crescente das algas verdes e vegetação exótica aquática em todo o Baixo São Francisco. Situação que não para de se agravar, comprometendo mais e mais a qualidade da água para uso humano por parte de populações difusas na região, além de competir com as espécies aquáticas nativas, com seu espaço físico cada vez mais restrito na calha do rio. As zonas ocupadas pelos bancos de elodeas e algas verdes são locais onde, visivelmente, não há biodiversidade: peixes, crustáceos, cágados d’água, são raras ocorrências.

A operação da UHE Xingó com média 1.050 m³/s – ocorrerão vazões menores, para atingir esse número – significa mais impactos negativos

Mais uma vez lembremos que a questão da ocupação do Baixo São Francisco pelas algas verdes e vegetação exótica invasora provocou a criação de uma ACP – Ação Civil Pública, que se prolonga desde 2016, deixando a população difusa ribeirinha – sem sistemas de abastecimento e tratamento de água – em situação de total vulnerabilidade quanto ao seu direito básico de acesso à água, a qualquer momento, de qualidade (para consumo humano).

A infestação de algas e macrófitas aquáticas não flutuantes (como as baronesas) é tão grave como o caso das baronesas e, da mesma forma, requer imediata solução para sua redução consistente. Além de manutenção de vazões maiores, há que se realizar a remoção manual (como a que é realizada, com grande dificuldade, na zona de acesso à agua da Reserva Mato da Onça) e ainda mecânica nos grandes bancos.

A alegação de custos elevados para a solução do emergencial problema é descabida: temos um problema real, em curso, de saúde coletiva, saúde ambiental, com possibilidade de danos irreversíveis em futuro não distante. A contabilidade do passivo, com toda a certeza, será elevada, tendo a se considerar o somatório do passivo produzido pela regularização a partir da UHE Sobradinho, a sobreposição de danos com as operações da UHE Xingó e a pá de cal com a negação do rio pela desastrosa gestão que favorece, sempre favoreceu, o setor elétrico que hoje relega a população do Baixo São Francisco, sem água adequada e uma paisagem detonada.

O “novo” padrão de defluências – ignorando soberanamente o PRHSF – Plano de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do rio São Francisco, documento elaborado pelo CBHSF – Comitê da Bacia

Gráfico: ANA/SNIRH

Hidrográfica do Rio São Francisco que consumiu mais de R$6.000.000,00 (seis milhões de reais) e incapaz de fazer valer a vazão mínima determinada de 1.300 m³/s (hum mil e trezentos metros cúbicos por segundo) – foi comunicado ao final de dezembro de 2020 pela CHESF – Companhia Hidro Elétrica do São Francisco, conforme noticiamos na semana passada, que a partir de janeiro de 2021 as vazões no Baixo São Francisco seriam reduzidas para o valor médio de 1.050 m³/s (uma situação com menos água do que em maio de 2020) não precisa, sem definições sobre redução progressiva – como foi realizado para as operações da UHE Sobradinho – para a UHE Xingó e sem mencionar as vazões mínimas e máximas para o barramento, além dos períodos de suas defluências, para a configuração da chamada vazão média. No fechamento desta matéria a vazão estava mantida abaixo de 1.300 m³/s, em exatos 1.241,93 m³/s.

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